Trupe dos Maconheiros Evangelizadores do Sétimo Dia (que é domingo)

Rolando o feed de notícias, parei no vídeo de um broder falando da palavra do Senhor com um baseado aceso na mão. Achei estranhaço e perguntei como funcionava essa parada. Me convidaram pra aparecer numa casa do Lago Sul, às 20h, no domingo. Compareci, o cara da entrada me informou que a primeira vez era de graça e que eles forneciam até a marafa. Massa, né?

Era uma caralha de uma mansão, com vista pro lago e tudo. A galera se organizou num círculo com o pregador no centro. Ele pegou o isqueiro, fez a chama e acendeu um beck. Puxou e pregou. Puxou e pregou. Puxou e pregou. Cada baforada de fumaça era seguida por um trecho do sermão e ele, como um bom cristão, não deixou de passar o baseado pra frente. O primeiro acabou e bolaram outro. Depois outro. Depois outro.

Eventualmente tudo que ele falava fazia muito sentido e eu estava entendendo a palavra da bíblia como nunca antes tinha entendido. Foi a melhor lombra da minha vida, foi um lombra perto de Deus. Passei a aparecer lá todo domingo, pra orar e pra fichar chapado. Na segunda visita já tive que pagar pra entrar, mas fazia sentido, a gente fumava uns cinquenta becks por dia.

Lá pelo terceiro mês a parada ficou mais pesada. Começou a ter doce, bala e logo todo mundo tava cheirando duas carreiras de coca arrumadas na forma de uma cruz. Todo dia eu me sentia mais perto do Senhor, mas foi quando eu vi a imagem de Jesus num cristal de metanfetamina que eu realmente senti que o Paraíso estava bem ali. Ah, sabe como é, a palavra d’Ele é realmente viciante.