Troço

Sobre fim.

Fui o lixo – o resto das memórias despedaçadas em sacolas rasgadas.

Tu fostes a pior coisa que me aconteceu. Entre os escombros, enganei-me comigo mesmo. Fui pó de entupir nariz, fui cocaína com vidro – rasguei minha respiração pelo ouvido, ouvi o que tinha para ser dito só com os olhos.

Tu fostes a pior memória enclausurada em minhas pupilas. Dilatastes meu coração e furou-lhe a íris com teus dedos. És a perda de cabelo nos velhos, és a erecção frouxa dos jovens frustrados – és o remendo de perdões em meio a um corpo defasado por fracasso.

Tu és e fostes não o ruim meu, visto que fui bom em teu espelho de mente. Larguei tua mão pela complexidade das garras, pelos arranhões no peito. O que nem merece a palavra, fosses minha melhor poesia – nem escrita, tampouco sentida; visto a falsidade por trás de versos tão puros e verdadeiros. És a água quente que rumina dentro de um estômago ácido, a boca seca de uma saliva alcoolizada.

Tu és a podridão maior de um mundo em lixão. Tu fostes o aborto do amor, amado por uma mãe sem cor – o mundo, que espera o melhor e pede desculpas, nem sequer aguenta mais o teu peso nas costas. És o sopro de rosa afiada murcha destra de afinco gana brio —a gota brava de uma garganta fraca.

Não te amo pelo que falta, amei-te por esse: visto que em sobra, és horror nos pavilhões, és a destruição em demasia, és o preto escuro negro luz-sem-vida de olhos que nem choram por não saber amar. Não te amei pelas sobras horrorosas que é você, em demasia e em odor —não te amo porque és o lixo, que agora ficou em caixas fechadas para não mais entupir-me com teu bolor.