Todo Homem Falha

Nem o Super-Homem escapa.

Eu tinha acabado de sair de um estágio em publicidade numa firma ali em Gotham e resolvi passar uma temporada em Metrópolis, ver de qual que é esse negócio de cidade grande.

Nessa época, fiquei amigo do pessoal de jornalismo, que sempre colava com o bonde da publicidade. Até que eu conheci o Clark Kent, que, não sei se vocês estão ligados, mas é o Superman.

Todo mundo sabia quem ele era, mas o cara era tão de boa, tão brother, que a gente preferia disfarçar. Quando ele ia “atender ocorrência” no meio do expediente, o pessoal cobria o turno dele e ninguém se importava.

Um dia, começaram a aparecer umas mortes estranhas na cidade, envolvendo uns figurões. Suicídio, mas tinha algo mais aí. Mesmo o Clarkinho tentando resolver a parada, os suicídios não paravam. Foi quando ele me telefonou me chamando pra tomar umas.

Chegando lá no Seu Viníciu’s Bar (que tinha a melhor cachaça de laranja da cidade) o cara foi logo se abrindo.

“Eu sou o Superman”

“Tô sabendo”

Ele nem ficou surpreso. Acho que ele sabe que todo mundo sabe. Caralho, pra quê os óculos, então? Enfim, a bomba mesmo veio logo depois.

“Tem outra coisa… Eu tenho disfunção erétil.”

Quê!?

Segurei a risada, porque vi que era coisa séria, coisa fudida.

Ele continuou a choramingar, dizendo que a Lois Lane achava que o problema era ela, que ele já tinha tentado de tudo, mas nada funcionava. O casamento estava abalado. Quando indaguei, então, o motivo da paumolecência constante, ele disse:

“Sei lá, bicho. Acho que é problema no trampo.”

Daí ele começou a contar toda a treta envolvendo os suicídios suspeitos, que ele não conseguia descobrir quem estava por trás disso e tal. Comovido com a situação, tentei ajudar o cara. Eu, como já joguei muito Detetive e Carmen Sandiego, era bom nessas coisas de crime.

Matei a charada logo de cara, o Clark só não sacou porque esse pessoal de Krypton a inteligência não é o forte deles. Resumi:

“Alguém tá drogando os suicidas, algo relacionado com hipnose, e então está fazendo eles se matarem. E só tem uma pessoa que lucra com isso. Tá na cara, foi o Lex!”

“Caralho! É isso mesmo! Bora lá então, pegar o safado?”


Concordei em ir nessa missão só pra poder postar uma foto no Insta com o Superman, mas falei que não ia subir no prédio da LexCorp, eu ficaria ali embaixo, na moralzinha.

Chegando lá não deu outra, o Lex já esperava o homem de aço numa armadura de alta tecnologia. Eles batalharam naquele fim de tarde pelos céus de Metrópolis.

Quando eu já estava achando que essa brincadeira de mão ia acabar mal, o Superman conseguiu acertar um puta dum jab de esquerda e destruir a armadura do Lex.

Enfim, ele derrotou o careca.

Nesse momento, já estava escurecendo, mas a visão final me embrulha o estômago até hoje.

O Superman, numa felicidade que eu nunca vi antes, pousou na beira de um prédio e abriu os braços para o infinito que o pôr-do-sol daquela tarde trazia.

O volume na cueca vermelha já denunciava, mas o tarado ainda teve a pachorra de gritar:

“CARALHOOO, QUE TESÃAAAAAAO!”


Curtiu? Dá um recommend!
Natan Andrade | Escrevendo sobre super-heróis com disfunção erétil. Onde foi que eu errei?

Facebook | Twitter | Revista Simbiose

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.