Texto é Relacionamento

Ame-o ou deixe-o.


Texto é relacionamento e começa com desconfiança, sem muita entrega. De mansinho, uma gentileza, uma piada que faz rir só o canto da boca. Logo, aquela frase certeira que resumiu um caminhão de pensamentos seus levará você a embarcar no trem e envolver-se ainda mais nesse chamego bom. O texto flertou contigo e você sorriu de volta.

E se o leitor caiu nas garras desse amor gostoso, chega a próxima fase, a parte um pouco mais complicada de todo texto: o namoro. Vai começar tudo bem, tudo numa boa. Afinal, você está completamente envolvido com as palavras. Um pouquinho depois, vão rolar algumas crises, umas frases cheias de palavras doidas, coisas que vão te fazer pensar: “Porra, o que eu tô fazendo aqui? Será que eu tô perdendo tempo com tudo isso?”.

Mas se você gosta desse relacionamento, ele sendo bom ou ruim, você dá um passo além.

E é aí que o texto vai criar o clímax mais clichê do mundo: O Pedido de Casamento. O momento no qual ele te faz uma proposta tão bonita que você não só tende a aceitar, como também sente um ímpeto de compartilhar com todos o quão legal foi. Tudo isso, porque texto é relacionamento, e relacionamento a gente coloca no status do Facebook.

Então, se você chegou até aqui, quer dizer que as coisas deram certo, ainda que uma vírgula ou um erro de gramática te fizeram brigar com o texto alguma vez.

Daí vem a crise final. O texto está acabando, o relacionamento morreu.

Ficam dois tipos de sentimentos no fim. O primeiro é a lembrança da ex que foi boa, a saudade do que acabou.

Quem sabe role uns flashbacks e você não visite aquele texto novamente?

O segundo é mais complicado. O texto foi meio bosta e você se decepcionou. Terminaram da pior forma possível e você nunca mais quer saber nem do texto nem do autor. Nunca mesmo. Nesse caso, vale aqui aquele velho mantra roubado de uma mesa de boteco:

Ser amigo de ex é bom, mas ser inimigo é muito melhor!

Natan Andrade | Especialista em falar besteira.

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