Sonho líquido

Unknown artist

Hoje te vi indo embora durante três horas e Pensei em tuas pernas deixando minha casa por três longos segundos que duraram três horas desses três longos anos em que teus quadris balançaram meus olhos já quebrados das três noites sem dormir por conta das três brigas seguidas dessas três longas longas noites

Deixa ali no canto, todas as nossas histórias. Os dias de glórias, mordidinhas, beijinhos – empacota-os nessa estrofe por inteira.

Então põe-me em teu colo e as conta, uma por uma – sem demora, nem olhe para as horas. Cacofonia; etiqueta; o medo frágil de bocas ainda desconhecidas, espremidas uma n’outra como aperto de mão.

Nem valsa ao salão, nem mãos ao chão: alma uma n’outra, quebradiças e leves como vaso estilhaçado.

Hoje à noite nos vi morrendo lentamente e Vi e senti nossos corpos regurgitando um o outro e Destacadas as mandíbulas frias Dentre os dedos já defasados

Unknown artist

Eu te odiei naquele momento. Odiei-te por ter me feito te odiar, principalmente. Odiei o facto de teu rosto se vender ao meu como compasso p’ra vida boa e p’ra cansaço não mais sentido.

Eu odiei cada palavra proferida. Odiei-te por ter tirado da minha boca algo mais que nossa antiga felicidade. Odiei o facto do meu rosto ter ficado vermelho ao encontro de teus dentes encravados nas minhas feridas.

Eu nem queria mais ser hábil a sentir. Não queria nem existir, para não acordar e viver as consequências desta conversa. Nem poema, nem poesia – água; nem amor, nem realidade – sonho.


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