Resposta

Digitar, às vezes, leva um tempão.


Na mensagem, ela disse: “ Não era eu”.

“Tudo bem”, foi o primeiro impulso. Na real, ele amava ela pra caralho. Com certeza, era tudo invenção de gente invejosa.

Ele resolveu segurar a vontade doida de cavucar ainda mais a história e decidiu mandar logo um coração, pra encerrar a conversa, antes que virasse briga. Talvez, ele pensou, fosse a última saída antes de pegar a BR-Treta, e o carro já estava gasto demais.

Mas sei lá.

Se a história fosse verdade, o que ia fazer? O “Tudo Bem” poderia colocar um fim na história, mas, na prática, ele não deixaria de remoer tudo o que já passou.

Será que não era o melhor?

Sim, era. Afinal, ele amava a moça pra caralho.

Era isso. Um “tudo bem”, pra ficar tudo bem mesmo.

Começou a digitar. O “t” foi fácil.

Demorou um pouco no “u”. Por algum motivo, lembrou de umbrella, e foi direto no seriado preferido do casal, que tinha um guarda-chuva amarelo como amuleto. No seriado era tudo mais bonito. Valeria a pena enterrar com cimento a história e viver com o fantasma da dúvida?

Porra. Se a outra opção fosse acabar com o relacionamento de vez, valeria.

Continuou digitando o “d”, depois o “o”. “Tudo”. A metade do caminho já tava ali.

Tudo. O resto da vida, ou, pelo menos, da vida útil daquele relacionamento. E se um dia, durante uma briga, a verdade viesse à tona? O tempo junto seria desperdício?

Claro que não. Eles dariam um jeito. Juntos.

O “b” foi tranquilo. Veio o “e” e depois o “m”. Pronto. Tava feito. Tudo ia melhorar.

Com coração ou sem?

Deu uma zapeada pelos emojis. Coração não. Era demais. A carinha de sorriso simples, até meio irônica, serviria melhor. Ela entenderia que o “Tudo bem” não era tudo, que ele se magoou mas que estava disposto a passar o pano na história. Era o sorriso, então.

Vacilou um pouco antes de enviar. Era o seu futuro ali, normal ter um pouco de aflição.

Mandou.

Notificação.

Não foi ela respondendo. A mensagem veio do grupo “Nóis É Nóis”.

Tiaguim mandou uma foto. A legenda, seguida de um emoji de boi, dizia:

“NÃO ACREDITA EM NÓIS ENTÃO TOMA VACILÃO”

Ela. Beijando. Outro cara.

A próxima mensagem no chat dela ele escreveu rapidinho.

“Vai se foder”

Sorrisinho irônico ☺.


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Natan Andrade de Medeiros | Não me culpa, esse aí escrevi do celular.

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