Precisei escrever sobre ti.

Para você, você mesma.

(500) Days of Summer

Existe em mim, uma gravitação única — força essa que me puxa aos horrores da terra e fetichiza a desgraça.

Sinto um deus interno, que hoje é descrente e reza aos pés das árvores, que hoje pede clemência a mendigos sem nome, que hoje rasteja pelos mais belos lugares.

Minhas palavras vão se escrevendo sozinhas e sem rumo. Sou o que nunca quis ser, o que meus papéis desejavam profeticamente. Admiro aqueles que sabem amar pouco, Minerva de seus saberes; ponderadores de suas consciências.

Resta-me um nó e esse vazio e esse preenchimento supérfluo e barato.

Resta-me essa força existencial e niilista, puxando-me para dentro — ser centrípeto que me tornei.

Perante vasta explanação, hoje colho frutos de meu ser moral. Colho a estética indescritível. Colho o amor incondicional. Fodo-me e colho nessa regurgitação e quimo de verbos em tempos errados e de erudição profana e de não-existência sua. Caralho, como dói fazer pedaço meu levitar e ver a alma em outras cores.

Percebo os tons que nunca notei doravante a plenitude de uma vida cedida. Vi as borboletas mais vagas desfilando ordenadamente por uma fila incabível ao estômago.

Vi meus olhos sendo artérias e minhas artérias sendo suas.

Vi meu sangue correndo em você e sua respiração mansa em meus pulmões.

Senti e fui tudo que era a máquina-tua em minha pele frágil.

Senti além-mais, teus dedos tortos encaixando meus fios e meu cabelo sendo suas mãos e seus lábios derretendo-se em meus ombros e meus ombros lhe pressionando firmemente até a sensação do bico de seus seios endurecidos chegar ao consentimento de meu peitoral e meu peitoral levemente tocado por suas mãos levemente insanas descendo por meus nervos levemente sãos em meio as tuas coxas doces e suas doçuras degustando de meu suor e meu suor exalando você e você exalando a mim como era pra ser e era pra ser pois fora eu e você e sempre será, até o fim.

Ainda está aqui a sua parte,

desligo um pouco a gravidade

para te deixar entrar.