Polissíndeto

Figuras de linguagem, cachinhos e Ana Larousse

Procuro teus cachos em tudo. Nas ondas, que batem frouxas e ne’um pouco lisas em meus pés; nas curvas que a vida dá, que cadenciam minha felicidade tal qual teu humor costumava fazer.

Hoje, sou produto do meio. Sou corpo enfaixado por tuas curvas. Sou guarda-roupa de nossas memórias e sonhos, já esquecidos e confundidos pelo nome Frustração – dói ouvi-los correndo na rua e não mais chama-los como filhos, mas como abortos. Mal feitos, mal cheirosos, mal cuidados, mal desenhados.

Faltou-nos criatividade ao tracejado da vida, como ironia desse casal de artistas. Faltou encadeamento, pra esses olhos secos de lágrimas e afecto; faltou siné-sei-lá-o-que, pra esses abraços sem mãos; faltou polissíndeto, pra eu e você.

Tentei, nem que por uma nota, você naquele álbum da Larousse. Tua pele rosa que já era tatuagem na minha, tua branca-ser ficando rubra ao descer de nós. Nem valia o acorde perfeitamente arquitetado, sonorizado, desempenhado – os meus ouvidos sentiam era falta do cheiro d’eu e você. Os meus lábios queriam mesmo era polissíndeto.


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