Platônico, como deveria ser.

Audrey Hepburn

Capote sempre foi um homem brilhante, de convívio difícil e mente imprevisível. Costumava dizer ter tido apenas três amores em sua vida e, um desses, acredito ter sido sua capacidade de nos fazer se apaixonar por suas personagens.

Da sua prosa limpa e melancólica à suas personagens vivas e críveis, Breakfast at Tiffany’s torna-se platônico desde seus momentos iniciais até as últimas linhas de um texto que você torce para não ter fim. Breakfast at Tiffany’s é o retrato de um amor sem começo, meio e muito menos fim; e é isso que o torna tão especial num mundo onde o “amor da sua vida” pode, por engano, virar em uma esquina errada e nunca cruzar com você na rua.

Todos tivemos nossos desejos espelhados em um “parceiro ideal”, e é isso que Truman Capote nos ofereceu ao escrever sobre Holly: Alguém que você não conhece, mas sabe que se encantará ao conhecer. Nossas maiores decepções são devidas à finais, e Capote acerta mais uma vez ao nos fazer aceitar a realidade e remetermo-nos a nossos próprios finais não desejados.

Calvino afirma que um clássico seria um livro que nunca terminou de dizer aquilo que tinha pra dizer e, assim como uma paixão que viaja pra longe e nunca mais volta, Bonequinha de Luxo é isso: Uma estória que, mesmo com seu fim lido e re-lido, sempre tem um pedacinho dela conosco, pertencente somente a nós mesmos.


Texto baseado no tema do concurso vestibular da UFRGS de 2014: “Qual o seu clássico?”.