O acosador

(Imagem: Eleonor Davis)

Talvez eu goste dessa pessoa vazia que nunca abriu a boca pra dizer o que realmente pensa. Eu tenho esse hábito inevitável de ler as coisas, principalmente os olhos, os dele em particular. Há algo que me incomoda ao ponto de me fazer perder o sono, a paciência, a calmaria. Minhas lembranças apuram com o tempo, feito vinho que degusto de madrugada e nos banhos frios pra acalmar a pele. Talvez o queira por mais que algumas horas além das madrugadas em meus sonhos, talvez eu só queira que me queira. Não sei, tudo se embaralha quando ele fala, esperava ao menos uma única palavra-verdade. Queria que ele soubesse que eu escuto quando ele fala. “Ei, eu entendo”. Há vezes em que silencia e some, penso que finalmente me esqueceu e fico feliz. Mas reaparece quando menos espero, onde menos espero.

Por mais que eu queira não adianta querer só. Penso nele, talvez seja cisma ou vontade de ter alguém que goste e me ame pelo que sou. Mas nem sobre isso ele fala, um gosto de você não me basta, quero sentir as coisas através do que ele não fala. E sofro por não me compreender quando estou na presença dele. Não é amor, não pode ser amor.

E se for? E se for, meu Deus? Eu ainda não esqueci como se ama, mas não é a mesma coisa como o de antes. Vai ver que estou aprendendo outra forma de amar ou pode ser só cisma. Só queria mesmo é que ele dissesse alguma coisa, qualquer coisa que fosse ele. Talvez eu comece uma frase e peça pra terminar, talvez eu queira facilitar pra ele ou pra mim. Quero respostas, mas ele é a dúvida que me inquieta.


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