Não é POSSÍVEL que essa merda aconteceu desse jeito.

Meias Verdades

Não deixam de ser meio mentira.

Mentir é uma arte.

Mas dentre as mentiras, as que eu mais gosto são as Meias Verdades.

A professora no colégio versava sobre história do Brasil. Eu, metido a criança esperta, mandei:

“Professora, sabia que o Dia do Fico nunca existiu? Eles inventaram isso um tempão depois pra deiar a história mais legal!”

A professora olhou com cara de paisagem. Ela não tinha certeza se era verdade essa info.

Nem eu. Mas se fosse verdade seria massa.

Veja bem, eu escutei em algum lugar que tinham umas paradas na história do Brasilzão que foram floreadas para exaltar o ufanismo tupiniquim. Em algum documentário, ou num rodapé daqueles livros de história do Ensino Fundamental, sei lá. Mas isso eu li. A verdade da Meia Verdade.

Beleza.

Esse era o caso?

Foda-se.

Não importa. Já era. Nesse espaço de meio segundo eu arrastei-a pra minha armadilha mental. Nesse exato momento, ela começou a procurar desesperadamente nos armários de fatos da história do Brasil que ela guardava na sua cabeça, procurando se essa informação batia.

É aí que ela abre uma dessas gavetas e, num pedacinho de papel, ela encontra a mesma informação que eu tinha.

Alguns fatos da história brasileira foram retocados.

Provavelmente, esse excerto se referia ao grito de Independência ou Morte. Numa associação de quem se agarra à última palha de verdade, ela entende que, se valeu pro grito do Ipiranga, pode ter acontecido também com o Dia do Fico.

Tensão. Ela acreditou? Não? Vai falar que é mentira? Vai falar que não foi bem assim?

(a pior coisa de ser ouvida para um viciado em meia-verdade é ouvir um não foi bem assim)

Armas apontadas. Ela cedeu:

“Sim! Muita coisa da nossa história foi alterada depois! Você está certo!”

Bang!

Confete.

Vida que segue.

Eu e a Professora num “Mexican Standoff”

C O M P A R T I L H E

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.