A incrível história daqueles que jamais venceriam

A verdadeira Grande Depressão

Sofrimento e impotência: eis o que criou todos os além-mundos, e este breve delírio da felicidade que só conhece quem mais sofre — Assim Falou Zaratustra, pág. 41.
Dedico esta obra aos que ainda choram.

A Grande Depressão eclodiu por volta de 2050, causada por uma epidemia que reduziu cerca de 70% da mão de obra, sem nenhum motivo aparente. Sem a força de trabalho, a economia mergulhou em um colapso, trazendo consigo a fome e a miséria em proporções jamais vistas. A tragédia, não satisfeita em apenas inutilizar-nos e em destruir nossa economia, deixou-nos cegos, acentuando o que já havia de pior em cada um de nós: o egoísmo. O globo dividiu-se entre “afetados” e “não afetados”. Não foram poucos que pensaram sobre estarmos em uma nova guerra ou, para os mais pessimistas, em algum tipo de ataque terrorista. Perdidos e desorientados, perguntávamos: quem é o inimigo? A pergunta ecoava até o infinito.

A catástrofe, ainda que de origem desconhecida, revelou-se aos poucos através dos sistemas básicos de saúde. No início, as primeiras ondas de pacientes encontravam-se em pleno vigor físico, exceto ao se queixarem sobre a apatia que sentiam ou de que não eram mais úteis. Conforme aumentava o número de pacientes, os médicos observavam um certo crescimento de alguns sintomas mais agudos como a falta de apetite, ideias negativas, sono e cansaço excessivo, apatia e, nos piores casos, ideações suicidas.

E então, após um ano, a Organização Mundial de Saúde descobriu através dos padrões dos pacientes que se tratava de saúde mental, e a importância da intervenção elucidativa a nível mundial. O órgão foi público e proclamou sobre o que seria a maior epidemia da história e distribui gratuitamente manuais que orientariam profissionais, pacientes e familiares. Embora a OMS discursasse com a finalidade de tranquilizar e acolher a população, o efeito foi justamente o oposto. O assunto ainda era um tabu, inclusive entre a comunidade médica, o que dificultava o diálogo entre os profissionais indispostos com a população afetada. O cenário de desolação e descrença alastrou-se pelo planeta. Após a comunicação oficial, a OMS tentou estabelecer durante anos um diálogo pró-tratamento com as corporações e os Estados, mas sem sucesso. Infelizmente, o que estava em jogo com essas repartições não era a vida humana, mas sua valia como mão de obra e poder de consumo. Visando não perder de vez suas riquezas, as empresas mais poderosas enxergaram os não afetados como uma oportunidade de recomeço. Apostaram o máximo dos seus recursos e desenvolveram tecnologias com a finalidade de abandonar o planeta e a mão de obra junto, forçando-os a deixarem tudo para trás. Apesar da obrigação, o abandono dos bens pessoais era necessário, pois poderia ocupar muito espaço nas naves. De qualquer forma, em um novo planeta, as corporações ofereceriam a promessa de recursos básicos para um novo começo de cada um deles.

Suportando as adversidades e o desprezo que a OMS sofria a cada investida, ela foi a público pela última vez esclarecer que tal crise pode ser atenuada caso seguissem seu manual de prevenção contra as doenças de ordem mental. “Está tudo lá” — disse o presidente da OMS. E ainda fez um apelo sobre não hostilizar os afetados, mas sim ajudá-los na luta contra um mal tão silencioso. Com medo de que a doença “pegasse”, fruto da desinformação e preconceito, os não afetados estavam cada vez mais desesperados pelo êxito das empresas em levá-los a outros planetas habitáveis. Era essa a postura, como um voto de higiene, ninguém queria conviver com um “contaminado”.

Séculos se passaram, o ano é 2199 e a Terra como era conhecida havia sofrido inúmeras perdas na populacão que agora resumia-se à pequenas cidades onde os “levende døde” — ou — “døde”* tentam sobreviver contra um vilão que jamais imaginariam enfrentar: a própria mente. Havia várias especulações em relação a origem dos døde. Os mais velhos contavam que “o apego excessivo ao consumo e às ideias materialistas” somatizaram para além corpo. Eu concordava e, por pura intuição, sentia que era uma revelação do desconhecido com a finalidade de escancarar de uma vez por todas as chagas da humanidade, dizendo-nos: “Este é o limite, parem!”. Ainda assim, éramos poucos vivendo em solo terrestre e as comunidades encontravam-se ao redor dos postos médicos. Não havia tanto consumo quanto antes, como diziam os anciãos, mas ainda éramos muito materialistas.

Ao contrário dos dødes, aqueles que não se “infectaram” foram levados para os raros planetas habitáveis através das grandes empresas. E por fim, os que formaram a Resistência ainda estão em busca de uma solução para os dødes e, por conseqüencia, um planeta melhor. Essa repartição, além do compromisso com a solução final, que é encontrar a cura para a depressão, também se responsabiliza por todo o processo médico com os dødes, especialmente na prevenção do suicídio. Em paralelo, mantêm orfanatos, asilos e casas para pessoas especiais. São inúmeros médicos, cientistas, missionários de várias frentes e intelectuais livres que encaram a vida de uma forma nunca vivenciada na humanidade: dispostos a dar até a última gota de suor para livrar a sociedade de um mal que jamais esperaríamos suportar. Por último e mais importante, contam também com uma repartição que dedica-se ao Projeto Moonfog [1], uma iniciativa com a finalidade de encontrar respostas em outros planetas, enviando dødes recuperados e voluntários que estejam aptos ao trabalho, uma prova de que o tratamento quando feito com amor e dedicação traz algum bem-estar, embora não haja a cura.

Sabia-se que não havia esperança na cura e que os dødes estavam destinados a simplesmente suportar a dor. Graças ao tratamento desempenhado pela Resistência, muitos perderam o ímpeto suicida, conseguiam trabalhar ou exercer alguma atividade, seja intelectual ou não. Mas algo supreendente estava acontecendo entre os dødes: um médico notou que eles não estavam se rendendo e que a cada døde recuperado, dois se esforçavam para aceitar ajuda, mesmo sabendo da recorrência de uma crise. A informação desse padrão inflamou um espírito de esperança em todos os envolvidos, a caçada pela cura despertou em mais médicos, a medida que viam todo o esforço coletivo no tratamento amoroso oferecido aos dødes, mais esperança eles alimentavam. E os dødes foram cruciais, muitos deles foram exemplos utilizados nas palestras médicas sobre o uso da medicação, o controle, a importância de aceitá-la. Psicólogos e intelectuais de várias areas se propuseram a palestrar e ajudar toda a comunidade, construindo uma cultura de “gritar por socorro”. Tudo estava caminhando bem, dødes esclarecidos, cientes que embora a cura não existisse, o ato de pedir socorro salvava não só suas próprias vidas, mas outras duas!

Eu era um desses dødes recuperados que voluntariamente se alistaram ao Projeto Moonfog para encontrar a cura. Queria saber quem levou meus pais e também o que me fez sofrer tanto. Uma vez órfão em tenra idade, não recordava o dia em que vi minha família pela última vez. Vivi entre orfanatos e na tentativa frustrada de encontrar os meus pais revoltei, perdendo o que havia de mais precioso: a mim mesmo. Até que um dia, próximo à maioridade, minha iniciação no Projeto Moonfog aconteceu. Fiz o treinamento, tirando nota A e a partir daquele momento iniciei minha primeira expedição através de uma nave chamada Haper[2]. Não foi uma expedição positiva, cheguei a um planeta árido, sem vida e sem respostas. Estávamos acostumados com os insucessos do projeto, inclusive, era o motivo de muito largarem o programa. A Moonfog sempre acompanhava nosssos fracassos, monitorava as alternâncias de humor, as visitas ao psiquiatra, enviava tutores para que nos acompanhassem, nos motivassem, para lembrar-nos que estávamos vivos. Graças ao projeto não desisti, embora houvesse uma voz chamando no meu âmago, lá aonde ainda residia uma fagulha vital, talvez a ultima, dizendo: "você está no caminho, olhe essa fagulha" e eu estava disposto a queimá-la, custe o que custar.

Certo dia, quando me preparava para uma nova viagem com a Haper, um general me chamou para conversar. Estávamos no inverno e a sala muito fria, pois convivíamos com poucos recursos para esquentar ou refrigerar ambientes, exceto as naves. Sentei-me, o general me cumprimentou de uma maneira afável, não era um exército comum como estávamos acostumandos, eles estavam ali para salvar vidas através do amor, especialmente de pessoas que queriam tirar suas vidas. Então, ele pediu minha mão para que, dessa forma, pudéssemos acender calor humano. Respirou e disse: “Filho, soubemos o paradeiro de sua mãe. Você deseja ouvir?” Reagi perguntando: “Ela ainda está viva?” Então disse, como muito pesar que minha mãe foi uma døde e cometeu suicídio quando eu tinha apenas dois anos de idade. Entrei em choque, não havia sentido aquela sensação há anos desde quando tive minha última crise e o ímpeto suicida. Apesar da psicopatologia gritando no meu ouvido para não ir, ela por um outro lado me empurrou com um sussurro: “Vá! Vá por ela e por todos eles”. Meus olhos encheram-se de lágrimas, era a minha consciência tomando conta. Naquele momento, os soldados que estavam próximos ao container fecharam-se ao meu redor e me abraçaram, como uma força coletiva.

Todos na Terra foram afetados pela crise, se não era um døde, era filho, amigo ou parente de um. E ainda que, entre eles, não sucumbissem ao suicídio, estavam em pleno sofrimento ou como eu, um døde controlado, medicado. Por isso, todos me abraçaram naquele momento, porque passavam por essa situação, muitos eram dødes e orfãos. Não adianta, a chaga atingia a todos, direta ou indiretamente. Na época dos orfanatos eu sempre ouvia um ou outro mais velho dizendo que os militares eram horríveis, e dos horrores da guerra subsistíamos. Mas não aqui, não na Resistência.

Em casa, olhei meu reflexo no espelho e novamente chorei. Queria ter visto ela ao menos uma vez. Não sabia seu rosto, seu cheiro, o toque e nunca ouvi sua voz. Cansado e ainda muito abalado, adormeci. Acordei afobado em meio a escuridão, fui à janela e nada, à porta e nada, subi os andares, não havia ninguém em casa! Senti duas mãos tocando minhas costas e seguindo em direção ao pescoço. Meus olhos se encheram de lágrimas novamente, sentia uma presença familiar, “será que seria como minha mãe faria?” — cogitei. Então, ajoelhei e deixei que minhas lágrimas caíssem, até soluçar. Em meio ao sofrimento, pude ver que a cada lágrima evaporava e despejada nuvens sutis surgiam ao meu redor. Eram de multiplas cores: anis, magenta, branco, verde, azul, vermelho. As mãos desceram em direção ao meu peito e assim foi dito: “Vá e confie, meu filho”.

No outro dia corri em direção ao centro espacial, agendei uma viagem no sistema e renomeei minha nave para Utholdenhet”[3], em busca de um planeta semelhante ao nosso. Decolei e ao chegar à estratosfera daquele planeta, próximo a pousar, notei que não havia nenhuma similitude com o nosso. E agora, o que fazer? Já estava além da estratosfera e não havia como reverter, caso contrário causaria danos à nave ou morreria na hora. Teimoso e pondo minha vida em risco, fiz de tudo para manobrar e retornar, mas não estava mantendo o controle e o painel já indicava pane. Não demorou muito para que desmaiasse com a pressão e fosse ejetado da astronave. Acordei desnorteado e com a visão completamente embaçada, meu corpo boiava graças à roupa de astronauta e embora não fosse capaz de enxergar com muita definição, era possível identificar o ambiente à minha volta através das silhuetas. Dessa forma, identifiquei minha nave a uns dez metros de distância. Porém, isso despertou uma enorme curiosidade: “como a nave não afundou?”. Arregalei os olhos e não pude crer no que estava vendo: Tudo ao meu redor era água! Meu único refúgio estava logo a frente e precisava ir de encontro à nave, descobrir o que se passava (podia ser um mecanismo de defesa, quem sabe) e também encontrar abrigo. Não precisei de muitas braçadas para chegar a nave. Mas nadando observei que não havia sequer uma correnteza, um fluxo de força, que mar ou lago era aquele? Uma vez na nave, busquei no painel algum botão que indicasse serviço anfíbio, mas sem sucesso.

De repente, a água começou a se agitar e minha nave tremer. O painel indicava que havia um compartimento na dianteira que estava desencaixado. Abri a porta, pulei na água e só assim me dei conta que ela batia na cintura. Em choque e com muito medo de um novo tremor, lutei contra o tempo, consertando em tempo recorde. Mas algo inesperado aconteceu, a porta se fechou e a nave entrou em modo alerta, desligando seu sistema e fechando todos os acessos, escotilhas ou qualquer coisa que pudesse afetar seu sistema elétrico. O tremor aumentou e com ele uma surpresa desesperadora: ondas enormes, entre 40 ou 50 metros de altura formavam-se no horizonte. Fui atingido por uma sucessão delas, meu corpo não estava aguentando mais os impactos, ainda que o capacete protegesse do risco de afogamento. Finalmente desmaiei, era o meu fim. Mas, no outro dia lá estava, diante do deserto azul e aqueles dois sóis avermelhados, prestes a sucumbir à derrota. Vivo, porém exausto, passei o dia dormindo nos destroços da nave, com muita fome e sede, a boca seca, o corpo dolorido, eu realmente estava chegando ao esgotamento físico e mental. De repente, senti algo vibrar, levantei a cabeça e desci para conferir, e ao pisar no fundo daquele mar controverso, uma sucção me levou para dentro dele.

No começo era escuro, mas ainda conseguia respirar. Não tocava o fundo, pois era possível enxergar a superfície, porém a sensação de isolamento tornava a bolha apavorante. Ficava olhando, sem nada para fazer aquela imensidão oceânica e em devaneios, dizia: “Seria aqui o planeta das lágrimas? Ou será aqui que traremos nossas futuras lágrimas? Ou melhor, será aqui que enxugaremos nossas lágrimas?”. Já há dois dias sem dormir e em pleno estágio de delírio, desmaiei sem perceber. Deparei-me pela manhã com uma refeição próximo ao meu leito e pensei: “Mas de onde isso está vindo?” Era um prato com legumes e outras folhas. Não tinha opção, era aquilo ou nada. Logo depois, um orifício abriu-se e formou uma espécie de chuveiro, caindo água. Removi as roupas e fui tomar um banho, pois o mau cheiro estava a me incomodar. Logo quando terminei o banho vi um vulto e quando voltei a visão, havia livros. Foi um processo que prolongou-se por mais dez dias, os livros serviram de conforto naquela reclusão, mas todos eles contavam histórias de curta duração e com muita relevância.

Até que em uma certa ocasião, ainda enquanto dormia, o mesmo sonho retornou. Porém, dessa vez, as luas eram cheias, azuis e cintilavam pulsando além da superfície. A bolha começou a girar, e em efeito centrífugo levantou vôo, pairando no ar. Enquanto a bolha girava em torno de si, dirigindo-se para algo que lembrava uma cidade, uma voz veio ao fundo e disse: “Tivemos que purificá-lo antes de chegar aqui”. Então perguntei: “Isso explica o motivo da alimentação sutil, a constante higiene e do conteúdo dos livros ter sutileza, ao invés de excesso?” calmo, ele respondeu: “Exatamente”. Senti um barulho mecânico seguido de um solavanco, como se fosse uma máquina voadora. A bolha agora tinha outro formato, era o de uma nave! Olhei para baixo e avistei uma cidade com telhados triangulares, parecidos com chalés, muito utilizado em países mais frios por conta do acúmulo de neve. E só assim percebi que aquilo não era um sonho.

A nave pousou e fui recebido por muitas crianças, de várias formas, cores e tamanhos. Elas me cumprimentavam, pulavam, riam e etc. Em meio as crianças, o ser que se comunicava comigo manifestou-se dizendo para irmos a uma sala. Ele era um menino loirinho, com sardas pelo rosto e muito educado, parecia um pequeno adulto e falava em uma língua estranha com os outros semelhantes a sua espécie. Assim que entramos na sala, além de enorme, fiquei espantado com a quantidade de telas e computadores espalhados para todos os lados. Então, o menino disse: “Me chamo Eduard e sou o responsável pelo setor da Terra que lida com a Saúde Mental, esperei séculos para dar essa explicação à sua espécie, você não foi escolhido por acaso. Representa a etnia das nações que sempre estiveram no auge do Índice de Desenvolvimento Humano mas nunca solucionaram os problemas da Saúde Mental de maneira apropriada. Estamos aqui para começar a repensar a humanidade e acabar com essa crise”. Sem chão e sem o que dizer, levei minutos até reagir ao que foi dito. Haviam tantas perguntas que não sabia nem por onde começar, mas ele parecia muito breve, não queria perder tempo.

Sem que eu pudesse perguntar um “a”, Eduard resumiu: “A crise poderia ser evitada se a humanidade estivesse de olho no que estava acontecendo com os países de IDH alto no período de meia década antes da Grande Depressão. Eles eram o modelo de sociedade perfeita, mas sucumbiram à depressão e às altas taxas de suicídio porque ainda mantiveram-se atrelados a uma forte sociedade de consumo, escravizados pela crença materialista. A matéria, por excelência, limita o ser ao que tange ser a única realidade do universo, sendo que ela não é, pois como vê, tal universo não é tao pequeno como julgam. Todos sabíamos que a sociedade de consumo em algum momento iria detonar frente a enorme fragilidade em que se encontrava. E não deu outra. Muito tempo foi perdido com coisas mundanas ao invés do cuidado do si, eis a explicação da chaga que adoeceu o seu povo. Agora é necessário aprender a aprender, esta é a chave do problema em questão. Você será incumbido a voltar a Terra e a espalhar a verdadeira libertação”. Novamente sem reação, eu mal ouvia Eduard aconselhando. E ele não parou por aí, disse-me também que não deveria me preocupar com a repercussão de emitir tais discursos, pois estavam comigo vários irmãos e legiões de seres também preocupados com a crise da Terra, embora fossem de outros planetas. Para eles, esclareceu Eduard, um evento de tal gravidade poderia afetar inúmeros planetas e até galáxias em termos de energia transformada, uma vez que a mesma não se dissipa.`

Uma vez em solo terrestre, fui recebido com certa timidez pela equipe da Moonfog — pois já sabiam da descoberta e queriam manter em sigilo como propriamente pedi. Entramos em contato com a impresa e fiz, junto à Moonfog, uma coletiva explicando a causa da epidemia. A reação do público não foi positiva, muitos consideravam as soluções “místicas” ou “esotéricas”. Mas as verdades eram irrefutáveis, especialmente aos olhos da Resistência, que dedicou vidas, sangue e suor para chegar a esse ponto ao qual chegamos. Não tardou para obterem resultados surpreendentes. Aplicaram as recomendações feitas por Eduard nos dødes, apresentaram, além da medicação, práticas não materialistas e o direcionamento ao que deveria ser crucial. A vida livre estava começando a brotar no ser humano pela primeira vez. Era uma renascença, que, por ironia, surtiu justamente através daqueles que o mundo jamais esperaria: os fracassados.

*døde ou levend døde, que do norueguês quer dizer “morto-vivo”

[1] Moonfog que do inglês significa “Névoa Lunar”

[2] “Haper” que do norueguês significa “Esperança”

[3] “Utholdenhet” que do norueguês significa “Perseverança”